O LIED ROMÂNTICO

O melhor veículo para expressar os sentimentos românticos foi o lied, que apareceu no século XVI e que, no século XIX, recebeu novo impulso graças a poetas como Goethe e Schiller.
Características do lied romântico
Lied é uma palavra alemã cujo plural é lieder e que significa “canção”. Porém, como forma musical, tem uma acepção mais concreta: é uma canção para voz solista com acompanhamento de piano, cuja música é composta baseando-se em um poema. Dessa maneira, consegue-se a íntima união entre o texto e a música.
Predominam dois tipos formais principais: o lied estrófico, em que cada estrofe do texto tem a mesma melodia, e o livre, em que a música se adapta à expressão e aos sentimentos presentes em cada parte do texto. Este último foi o tipo habitual no século XIX. O compositor austríaco Schubert consagrou esse gênero. Outros compositores que também cultivaram o lied foram Schumann, Brahms e Hugo Wolf.

FRAZ SCHUBERT

Franz Schubert (1797-1828) foi o verdadeiro criador do lied romântico. Sua obra esteve marcada pelos movimentos literários românticos, o lirismo e a exaltação do folclore alemão. Pôs música em textos dos poetas Schiller e Goethe, entre outros. Seus temas prediletos eram o amor, a morte e a natureza. Compôs mais de seiscentos lieder, que estão entre o melhor da produção romântica, nos quais consegue uma integração completa com o texto Estão agrupados em coleções, como Die schöne Mülerin (1823), com vinte canções, e Die Winterreise (1827), com 24 canções. Sua obra póstuma foi Schwanengesang (1828), escrita no ano de sua morte e que contém 14 lieder.

ROBERT SCHUMANN

Robert Schumann (1810-1856), que teve ampla formação literária, afastou-se da temática popular e aproximou-se da poesia culta, alemã e mundial. Seus poetas preferidos foram Hoffmann (1776-1822), Goethe, Byron, Schiller e, acima de todos, Heinrich Heine (1797-1856). Seus acompanhamentos pianísticos sublinham enfaticamente o texto dos lieder. O lied de Schumann diferencia-se do de Schubert na maneira de tratar a melodia, no acompanhamento e em sua preocupação pelo sentimento. A forma é livre, adaptando-se à poesia de cada estrofe, e sua grande inovação apóia-se no acompanhamento pianístico, que em muitas ocasiões é protagonista, ou comenta psicologicamente o texto. Compôs 250 lieder. Sobre textos de Heine está construído seu ciclo Amor de poeta (1840), com melodias ternas e líricas, às quais o acompanhamento do piano imprime um caráter irônico. Seu outro grande ciclo, Amor e vida de uma mulher (1840), foi realizado sobre oito poemas do poeta alemão Adelbert von Chamisso (1781-1838).

JOHANNES BRAHMS

Johannes Brahms (1833-1897) compôs mais de trezentos lieder sob influência de Schumann, em seu sentimentalismo, e de Schubert, em seu caráter popular. Sobre textos de Ludwig Tiek (1773-1853), compôs a obra Romances de Magelone (1861-69), que inclui 15 lieder ligados por um argumento comum. Merece destaque sua última obra, Quatro canções sérias (1896).

HUGO WOLF

Hugo Wolf (1860-1903) foi o mais importante autor de lieder do final do Romantismo. Sob influência de Wagner, utilizou o princípio da “declamação contínua”, em que o texto é parte mais importante da obra. Sua música foi uma das mais avançadas da época no que se refere à desagregação das tonalidades, e a principal característica de seus lieder é o aspecto dramático. Escreveu mais de trezentos lieder, destacando-se os Lieder sobre Goethe (1890), Lieder espanhóis (1891) e Lieder italianos (1892-1896).

GUSTAV MAHLER

No Romantismo tardio, Gustav Mahler (1860-1911) substituiu o acompanhamento do piano pelo da orquestra sinfônica. Entre seus lieder merecem especial menção Des Knaben Wunderhorn (1892-1898), Kindertotenlieder (1904) e A canção da Terra (1909), considerada por muitos sua obra-prima.


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