A ÓPERA ROMÂNTICA ALEMÃ

A ópera romântica alemã, assim como o lied, prosseguiu pelo século XIX. A medida que avançava o século, o drama musical wagneriano difundiu-se por toda a Europa.

ANTECEDENTES

O primeiro passo para uma autêntica ópera alemã foi o Singspiel, uma forma musical bastante popular na Alemanha e na Áustria, com texto em alemão e com diálogos falados em vez de um recitativo cantado. Com uma música mais simples que a da ópera séria, Singspiel elegia temas mágicos e fabulosos, ao contrário da ópera bufa italiana, de tema realista, ou da ópera séria italiana, de tema histórico-mitológico.
O Singspiel alcançou o auge com Mozart, sobretudo com O rapto do serralho e A flauta mágica. Esta última foi, posteriormente, considerada por Wagner a primeira ópera alemã. Nela, Mozart conseguiu um equilíbrio pleno entre os elementos populares e os eruditos.
Mais tarde, Beethoven compôs sua ópera Fidelio, obra em que a força da partitura impõe-se sobre a trama dramática.
Porém foi um contemporâneo de Beethoven, Weber, quem reagiu contra a influência da ópera italiana até o ponto de ser considerado o criador da ópera nacional alemã.

CARL MARIA VON WEBER

Carl Maria von Weber (1786-1826) estudou em Salzburgo com Michael Haydn (1737-1806), irmão mais novo de Joseph Haydn. Foi diretor de orquestra dos teatros de Praga e Dresden.
A força romântica de Weber está em sua maestria para conjugar o popular e o fantástico, buscando uma linguagem acessível, mas dramática. Sua obra operística caracteriza-se por melodias populares cheias de sentimentos alegres e ao mesmo tempo profundos.
Em 1810, estreou sua ópera Silvana. Sua ópera Precioso, escrita dez anos depois, baseou-se em La gitanilla (1613) do escritor espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616), Sua primeira ópera autenticamente alemã foi O franco atirador (Der Freischütz), escrita em 1821, Sua última ópera, Oberon (1826), estreou em Londres semanas antes da morte do compositor.
No campo da orquestração, Weber conseguiu efeitos e timbres em que mostrou um grande conhecimento da orquestra dramática.

RICHARD WAGNER

Richard Wagner (1813-1883) nasceu em Leipzig e, desde os 14 anos, estudou filosofia, harmonia e contraponto. Foi professor de canto em Wurzburg e regente de orquestra em Magdeburg, Leipzig, Königsberg e Riga.
Viveu em Londres e Paris até que foi nomeado maestro da orquestra do Teatro Real de Dresden. Seu espírito revolucionário levou-o às barricadas nessa cidade, em 1848, e teve de fugir para Zurique. Ali, plasmou seus ideais estético-filosóficos na obra Arte e revolução.
Em 1864, instalou-se em Munique, onde se dedicou à composição sob a proteção de Luís II da Baviera.
Com a estreia de sua tetralogia (quatro óperas) O anel dos nibelungos (1876) inaugurou seu teatro de Bayreuth, construído segundo os ideais do drama wagneriano, Sete anos depois, em 1883, uma parada cardíaca pôs fim à sua vida em Veneza, onde tinha se instalado por razões de saúde.
As características principais de sua obra são:

•          Tentativa de “arte total”, síntese de poesia, artes plásticas, música e dança.
•          Uso e potencialização do alemão em todas as suas óperas.
•          Temas baseados nos mitos e nas fábulas alemães.
•          Incremento do número de componentes e do protagonismo da orquestra, com a incorporação de novos instrumentos.
•          Utilização do leitmotiv, motivo musical que caracteriza as diferentes personagens da ópera, em cujos contrastes consegue-se o aspecto dramático,
•          Uso de harmonias cromáticas, em modulação constante, que levaram a tonalidade a seu ponto de máxima tensão e que significaram o princípio da ruptura do sistema tonal clássico.
•          Evolução para o drama musical, onde as cenas se encadeiam sem distinção entre ária e recitativo. A primeira ópera importante de Wagner foi Rienzi (1842), que trata da vida de um revolucionário na Roma do século XIV,

Sua obra O navio fantasma (1841) é um drama lendário em que aparece aldeia da regeneração pelo amor.
Quatro anos depois Wagner compôs Tannhäuser, sobre lendas medievais alemãs, com seu famoso “Coro dos peregrinos”.
Sua ópera romântica Lohengrin (1850) foi o passo definitivo para a tetralogia O anel dos nibelungos: O ouro do Reno, A Valquíria, Siegfried e O crepúsculo dos deuses, composta entre e 1874, obra em que se plasmaram todas as características da música wagneriana,
Compôs outras obras importantes, como a apaixonada história de amor Tristão e Isolda (1859) e a ópera cômica Os mestres cantores de Nuremberg (1876), obra de inspiração autobiográfica que trata das tradições dos grêmios alemães na Idade Média.
Sua última obra, Parsifal, é um drama religioso, escrita em 1882. Depois de Wagner, e até Richard Strauss, o único músico de destaque da escola alemã foi Engelbert Humperdinck (1854-1921), autor de Hänsel und Gretel (1893), ópera infantil com motivos folclóricos.


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